51 3220 4209 (Gabinete) / (51) 99159 6719 (WhatsApp)

Todos nós sonhamos em viver em uma cidade onde as pessoas conseguem ter boa qualidade de vida e possam desfrutar das alternativas de lazer, cultura, educação e trabalho.
Visando esse objetivo, por vezes criam-se leis ou regras com a intenção de ajustar imperfeições nas condições de vida das pessoas. Porém, nos esquecemos de observar quais são os resultados destas ações de boa intenção. Um exemplo que trago aqui são as leis de meia-entrada. Atualmente, diversos estudantes desfrutam deste benefício, justificado pela sua condição de renda pressuposta. Contudo, é matemática simples que, para que alguém receba um desconto, outro alguém terá que pagar mais. O problema, então, consiste em observarmos quem efetivamente recebe estes benefícios e quem efetivamente paga por eles. Muitos que possuem o direito legal a estes benefícios são jovens de alta renda familiar que poderiam arcar com o valor integral. Enquanto isso, vemos diversos jovens que não estudam e que possuem baixa renda familiar, mas que, por não estudarem, são obrigados a pagar o valor da passagem, embutido o valor que cobre o benefício concedido aos jovens de melhor renda. Ou então vemos trabalhadores autônomos, como pedreiros, eletricistas, dentre outros, que por não terem uma empresa que lhes auxilia com o transporte, e por não estarem estudando, também precisam arcar com os valores integrais. Faz sentido um sistema em que eu, por exemplo, estudante de pós-graduação e com um bom emprego, receba auxílio financeiro de um jovem ou trabalhador de baixa renda que não teve a condição de estudar, pois precisava trabalhar desde cedo para auxiliar sua família? Pior ainda, que eu receba este auxílio não somente o transporte, mas também para ir à cinema, shows e teatros? Para mim não faz sentido algum. Como disse o economista Thomas Sowell, precisamos analisar políticas publicas pelos seus resultados, e não por suas intenções. Não somos um país rico e, portanto, não podemos nos dar ao luxo de perpetuar injustiças.

Felipe Camozzato
Administrador pela UFRGS e Pós-Graduado em Liderança Competitiva Global pela Georgetown University (EUA)

Deixe uma resposta