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Um assunto está tomando espaço na mídia, como uma novidade da reforma política: trata-se do “distritão”. Nele, elegem-se os candidatos mais votados, de forma absoluta, para os cargos de deputado e vereador. Passa-se a aplicar a regra majoritária também aos cargos hoje eleitos de forma proporcional. Somente a Jordânia, o Afeganistão e algumas ilhas do pacífico adotam esse sistema. A proposta parece fazer sentido, porém é necessário analisar as consequências. Primeiramente, além de beneficiar políticos já eleitos, o distritão impede a renovação política. Não há incentivo para que partidos lancem muitos candidatos para somar votos; os escolhidos serão aqueles mesmos políticos de sempre. Isso porque eles já partem do capital político e votos das eleições passadas e podem usufruir da própria máquina pública (e de sua visibilidade) para – ilegítima – promoção pessoal. Diminui o poder das minorias – dentro dos partidos tradicionais e nos menores -, justamente pelo custo de uma campanha aumentar ainda mais para abranger a totalidade do “distritão”. É verdade que o sistema atual – com seu complexo formato proporcional – premia grandes coligações e a troca de apoios incompatíveis ideologicamente, além dos “puxadores de votos”, que carregam consigo candidatos com votações pouco expressivas e até desalinhadas com o eleitor. Porém o “distritão” é um banquete – patrocinado pelo pagador de impostos, que vai bancar um fundo eleitoral de mais de cinco bilhões de reais – preparado para a manutenção de poder da classe política tradicional. Uma tentativa desesperada de sobrevivência de um grupo desmoralizado pela corrupção. Precisamos de uma reforma que não seja pensada para ampliar o poder dos mesmos caciques que nos deixaram à deriva. Ela passa pelo fim do financiamento público, pelo barateamento dos custos em razão da diminuição do espaço territorial de campanha, pelo fim do voto obrigatório e pela valorização de partidos com ideias claras e coerentes. O “distritão” é mais do que um placebo contra o mal do nosso sistema político; é um veneno amargo que que irá agravar a doença.

Felipe Camozzato, administrador de empresas pós-graudado pela Georgetown University e vereador em Porto Alegre pelo Partido Novo

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